O que é Santosha?

O que é Santosha?

Continuando com nossa série a respeito dos oito ramos do Yoga, como resumido por Patânjali, nos Yoga Sutras, vamos o que é Santosha, ou contentamento. Ela é a chave para todos os Niyamas e uma condição necessária para a iluminação. O contentamento abre o caminho para a integração de todas as ferramentas que a yoga oferece.

O contentamento é um requisito para a paz na mente, ainda que vivamos numa cultura que fomenta o descontentamento. Somos bombardeados com propagandas que nos fazem sentir inadequados e estimulam um apego continuado às riquezas materiais e experiências sensuais. Somos ensinados a buscar a satisfação superficial que não considera as futuras consequências para nós mesmos ou para o mundo. Nós nos tornamos apegados às coisas e às pessoas para evitar nosso desconforto pessoal. Somos levados a acreditar que a satisfação de nossos desejos, como também de nosso ego, nos trará a felicidade. Ao contrário, a ignorância, o egoísmo, o apego, a má vontade e a ligação com o sensual são, atualmente, obstáculos para nosso contentamento e nossas perspectivas de libertação.

Então, o que é o contentamento e como nós podemos incorporá-lo como uma observância em nossas vidas? Contentamento é serenidade, mas não complacência. É conforto, mas não submissão; reconciliação, não apatia; gratidão, não indiferença. O contentamento é uma decisão mental, uma escolha moral, uma observância praticada, um passo dentro da realidade do cosmos. Contentamento/Santosha é o estado natural de nossa humanidade e nossa divindade e permite que a criatividade e o amor venham à tona. É conhecer nosso lugar no universo a cada momento. É a unidade com a realidade mais abrangente e duradoura.

Muito frequentemente nós pensamos muito pequeno. Muitas pessoas acreditam que podem fechar os olhos para o sofrimento dos outros para manter seu próprio estado de contentamento. Elas confundem indiferença com desapego, passividade com calma e isolamento com serenidade. Mas, colocar nossa cabeça num buraco na areia não garante o contentamento. Há um velho ditado na Índia: “Você pode despertar alguém que está dormindo, mas não uma pessoa que está fingindo dormir”.

Há diversas maneiras para cultivar o contentamento. Podemos praticar as posturas de yoga, Pranayamas (respiração profunda) e meditação para manter nossa energia equilibrada e a mente serena – qualidades que nos levam ao contentamento. Podemos manter uma lista de coisas pelas quais somos gratos. O mais profundo contentamento vem daqueles momentos em que nos sentimos no fluxo da vida, quando estamos comungando com a natureza, quando nossas energias são positivas e quando não temos desejos. Ao ser consciente destes momentos, podemos fortalecer, expandir e sustentar o sentimento de contentamento por longos períodos de tempo. Mesmo quando estamos rodeados pelos caos e pela desarmonia, podemos retornar a este sentimento e retornar num lugar de paz e quietude. O estado de contentamento torna-se um lugar familiar que podemos observar ao longo do dia inteiro. A chave é levar nossa atenção completamente para ele, quando ocorrer, e não ter pressa de seguir com a próxima atividade. E, ao afirmar nosso lugar no cosmos, nossa conexão com os outros e nossa integração com o divino é mais difícil perder nosso caminho quando surgirem as desarmonias.

Um dos benefícios do contentamento é a maturidade emocional. As grandes flutuações de humor diminuem e as crises pessoais não são mais o fim do mundo. Os eventos globais não nos empurram para um isolamento egoísta, mas sim para a comunidade. O interesse próprio não é mais o tema de nossa vida. A perda de um trabalho, o final de um relacionamento, ou o noticiário da noite não levam a nos sentir desolados ou fracos. Isto não significa que não temos sentimentos. Mas, quando fazemos Santosha conscientemente, gastamos mais tempo no contentamento e menos tempo na agitação, mais tempo no despertar da consciência e menos tempo na emoção da raiva, depressão ou outras negatividades. O contentamento oferece uma entrada para outra forma de experimentar o mundo. Há graça na forma que formatamos o poder nas vidas e permitimos um serviço maior para o mundo.

Muitos líderes proeminentes, que promovem a não-violência e trabalham para melhorar o mundo, reconhecem que o cultivo do contentamento é um requisito para aliviar o sofrimento e a miséria ao nosso redor. Algumas destas almas espirituais, que foram indicadas para o Prêmio Nobel da Paz são Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, Dalai Lama, etc. Todas estas pessoas observam o contentamento como um trabalho para a mudança para a não-violência, mesmo em face de aborrecimentos, críticas e prisão.

Possam todos os corações estarem em conforto. Possa nosso contentamento promover as energias para aliviar o sofrimento e transformar a ignorância em sabedoria. Possa o cultivo de Santosha nos guiar para a ação encorajadora, profunda comunidade e maior amor por todos os seres vivos.

Fonte: www.akym.org.br

 



Comente isso! Comentar

  • Não existem comentários ainda, clique em comentar e seja o primeiro!